terça-feira, 23 de abril de 2013

ONTEM, FOI REALIZADA UMA OFICINA PARA DISCUTIR A MARCHA A BRASÍLIA.

Ontem, 22/04/2013, o Centro Acadêmico de Serviço Social (CASS) da UNESP Franca realizou a oficina "Direitos da classe trabalhadora em debate: a Construção da Marcha à Brasília". A oficina tinha como objetivo, a partir da avaliação da conjuntura internacional e nacional, discutir os motivos e as reivindicações da Marcha a Brasília que ocorrerá no dia 24/04 (Quarta). A Marcha é uma iniciativa da CSP-Conlutas e está sendo convocada por vários sindicatos, movimentos sociais e populares. O Conselho Federal do Serviço Social também está apoiando e convocando a Marcha.
 A principal reivindicação da Marcha será a luta contra o Acordo Coletivo Especial (ACE), um projeto de lei da direção da CUT e do governo federal que abre as portas para retirar direitos históricos da classe trabalhadora brasileira.
Na oficina, discutimos que, com a crise econômica internacional que atinge principalmente os EUA e as economias da Zona do Euro, a patronal e o governo brasileiro lançam medidas para se preparar quando a crise atingir nosso país de maneira mais forte. Essas medidas são, na realidade, ataques aos direitos históricos da classe trabalhadora, com o objetivo  de "reduzir" o  "custo" da mão de obra. O raciocínio da patronal é simples: para preservar seus altos lucros devem acabar com os já poucos direitos trabalhistas. O objetivo final é eliminar os principais direitos sociais e realizar um verdadeiro desmonte de todo o sistema protetivo. 

A Marcha em Brasília, que contará com a presença de movimentos que lutam pela terra (MST, MTL), também terá como reivindicação a luta pela reforma agrária e contra o latifúndio. Também em estarão em Brasília o Quilombo Raça e Classe e o movimento Luta Popular para denunciar as remoções de comunidades e favelas, a violência ao povo pobre e negro e reivindicar moradia de qualidade para todos. Infelizmente, alguns setores críticos a Marcha, como os companheiros da LER-QI, não compareceram a oficina para expor sua opinião. Os companheiros chegaram a fazer algumas críticas nas redes sociais sobre a maneira como a marcha estava sendo construída, mas curiosamente quando há a discussão não participam. De todo modo, a Oficina foi uma ótima iniciativa que ajudou a entender os objetivos e a pauta de reivindicação da Marcha. Mais de 20 pessoas viajarão de Franca à Brasília para ajudar a construir uma grande Marcha que mostrará ao governo e a patronal a força do movimento operário, popular e estudantil.

Blog Adeus ao Capital

quarta-feira, 17 de abril de 2013

CARTA PÚBLICA DE RUPTURA COM A LER-QI


Venho através desta carta comunicar ao conjunto dos ativistas estudantis, sindicais e populares o meu desligamento da Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional (LER-QI). Durante os últimos seis anos militei nas fileiras da LER-QI e, atuando no movimento estudantil e operário, estive empenhado na tarefa de contribuir na construção de um partido revolucionário no Brasil, instrumento histórico fundamental na luta dos explorados e oprimidos contra os exploradores.
Entretanto, nos últimos sete meses venho acumulando importantes diferenças políticas e estratégicas com a LER-QI. Lamentavelmente, a direção dessa organização vem apostando num curso cada vez mais sectário. O sectarismo é uma degeneração e historicamente cumpriu um papel nefasto levando o proletariado a inúmeras derrotas. Esse sectarismo da LER-QI fica evidente quando analisamos a política desse grupo em dois aspectos fundamentais da política nacional.
Em primeiro lugar, a completa omissão do grupo diante das direções do movimento de massas, em especial ao MST. Há muito tempo a LER-QI deixou de apoiar esse movimento contra os ataques da direita e do latifúndio e, por outro lado, também passou a se silenciar diante dos erros e capitulações da coordenação do MST. Ou seja, a LER-QI simplesmente passou a ignorar esse importante “ator” social. Essa omissão consciente se arrasta a todos os outros movimentos sociais e populares, como o MTST e outros. Desse modo, a LER-QI passou a atuar apenas conforme os seus próprios esquemas políticos, desprezando a complexidade, similaridades e diferenças desses movimentos.  O teórico e revolucionário Leon Trotsky, em 1938, já alertava que:

“Os sectários só são capazes de distinguir duas cores: o branco e o preto. Para não se expor à tentação, simplificam a realidade”.[1]

O segundo aspecto que demonstra o sectarismo da direção da LER-QI é que, se por um lado se silenciam diante dos movimentos sociais e da questão agrária, por outro, se concentram em críticas desproporcionais, e muitas vezes descabidas, aos principais processos de reorganização do movimento sindical e estudantil. Para os dirigentes da LER-QI a CSP-CONLUTAS e a ANEL, entidades que estão à frente das principais mobilizações operárias e estudantis do país, são seus principais adversários.
Essas posições não são apenas debates teóricos abstratos, pelo contrário, tem implicações práticas na política. Isso é o que explica por que a LER-QI até agora não se posicionou a respeito da realização da Marcha a Brasília que está sendo convocada pela CONLUTAS, ANEL ANDES, FERAESP, MST e outros movimentos. Ao invés de participar e construir esse importante processo de luta e resistência contra os ataques do Governo Dilma a LER-QI prefere deslegitimar esses legítimos espaços de luta pelas redes sociais. Outro exemplo surpreendente se deu em relação a heróica greve dos operários das obras da usina de Belo Monte. Abandonados por seu sindicato, ligado a Força Sindical, os operários iniciaram um movimento grevista que contou com o apoio e suporte da CONLUTAS desde seu primeiro dia. Esse apoio, com advogados, ativistas e atos, é perceptível através de um simples acesso a página dessa Central sindical. Mesmo assim, a direção da LER-QI, uma semana depois do início da greve (!), soltou uma nota sobre a greve exigindo que a CONLUTAS organizasse uma campanha. Ou seja, a LER-QI, apenas para se delimitar, exige ações que a própria CONLUTAS já vinha fazendo há uma semana. Ao invés de apoiar a campanha em curso a LER-QI se contenta em soltar uma declaração na sua página que a delimite da direção da CONLUTAS.
Esses exemplos refletem um problema de ordem estratégica desse grupo e é o que explica seus inúmeros erros táticos em distintas situações. Nesse sentido, não há qualquer possibilidade de continuar a militância nas fileiras da LER-QI. Entretanto, mantenho minha plena convicção no marxismo revolucionária, que em minha opinião hoje está cristalizado no trotskismo, e na luta por um movimento operário classista que se coloque, juntamente com os estudantes e o conjunto do povo pobre, na linha de frente contra os ataques do governo e dos patrões, na perspectiva do socialismo.  Por ora, continuarei minha militância através na CSP-CONLUTAS e na ANEL contribuindo para discutir e auxiliar, pacientemente, na formação política e teórica de novos companheiros do movimento estudantil e operário. 

Rafael Borges
ex delegado de base do campus de Franca no DCE da UNESP/FATEC




[1] Programa de Transição, 1938.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

MARCHA A BRASÍLIA: PONTO DE ENCONTRO DOS QUE LUTAM CONTRA A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO.



Há muito tempo os setores patronais clamam por mudanças na legislação trabalhista. Exigem do governo medidas para reduzir “os custos” da mão de obra e, desse modo, manter suas altas taxas de lucro. Para o empresariado brasileiro os mínimos direitos trabalhistas, sejam aqueles previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou os da própria Constituição Federal, passaram a ser grandes obstáculos na sua busca por lucros cada vez maiores. Essa necessidade de liquidar os direitos trabalhistas é o que explica o surgimento do projeto de lei que prevê o “Acordo Coletivo Especial” – o ACE.
O projeto de lei que traz a proposta do ACE é de autoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e tem o apoio da direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Trata-se, na realidade, da regulamentação de acordos coletivos que poderão reduzir direitos e garantias dos trabalhadores. O Objetivo do ACE é garantir a chamada “segurança jurídica” para aqueles acordos que preveem redução de direitos. Os grandes empresários, evidentemente, estão festejando a proposta do ACE, pois vêem nele a grande possibilidade de fechar acordos coletivos que reduzirão os direitos a patamares abaixo do previsto pela própria lei.  O raciocínio dos empresários é simples: se ainda não há condições políticas de acabar diretamente com as leis trabalhistas através de uma ampla reforma, então irão impor, com o auxílio da burocracia sindical, acordos por “fora da lei” para reduzir ou suprimir direitos históricos da classe que vive do trabalho.

O Governo Dilma, apesar dos slogans e discursos em favor do povo, na prática, apóia, incentiva e promove todas essas medidas de redução de direitos. Na avaliação do Governo o ACE, assim como as terceirizações e outras medidas de precarização das relações de trabalho, poderá contribuir para a redução do “custo” da mão de obra possibilitando, dessa forma, a manutenção das altíssimas taxas de lucros dos empresários brasileiros. Essa receita vem sendo aplicada rigorosamente nos canteiros das grandes obras do PAC e dos estádios para a Copa e Olimpíadas. Os operários dessas obras são obrigados a trabalhar em extensas jornadas de trabalho, com atrasos de salários, sem descanso e visitas à família e sem equipamentos de segurança. Não há dúvida que o ACE visa expandir essa precarização para outras categorias e também aos servidores públicos. O governo apóia o Acordo Coletivo Especial (ACE), pois sabe que ao abrir as portas para a “flexibilização” dos direitos trabalhistas o acordo torna-se o principal instrumento para uma permanente precarização das relações de trabalho. E no vocabulário da patronal “precarização das condições de trabalho” significa altos rendimentos para suas respectivas empresas.   

Mas afinal, o ACE é ou não uma ameaça aos direitos dos trabalhadores?
A direção nacional da CUT publicou algumas notas para tentar convencer os trabalhadores de que o ACE não significa o fim de direitos. Segundo a CUT, a redação do projeto veda expressamente a retirada dos direitos previstos pelo art. 7º da Constituição Federal, dispositivo legal que assegura os principais direitos trabalhistas. Entretanto, como podemos notar, a própria direção da CUT admite abertamente que, com o ACE, os direitos trabalhistas previstos em outras legislações e instrumentos (como direitos previstos na CLT, decretos, regulamentos e portarias) poderão ser suprimidos, pois nem todos os direitos trabalhistas estão previstos no célebre art. 7º da CF. O ACE, a título de exemplo, poderia levar a diminuição do horário de almoço ou acabar com a necessidade de alguns equipamentos de segurança. Além disso, os defensores do ACE estão dando a oportunidade histórica para os políticos patronais enfim alcançarem seus objetivos de liquidar os principais direitos sociais, inclusive até mesmo os previstos na Constituição. A relação entre o ACE e a “flexibilização” dos direitos é tão profunda que no dia 02 de Agosto de 2012 o jornal “O Estado de São Paulo”, cuja linha editorial é fervorosa defensora da “flexibilização” dos direitos trabalhistas, expressou, através de um de seus colunistas, sua satisfação com o ACE:

“Bons ventos sopram em direção à flexibilização da legislação trabalhista, caso seja aprovado o Acordo Coletivo Especial (ACE).” [1]

Nem mesmo a direção da CUT consegue explicar como o ACE não é um projeto de “flexibilização” e retirada de direitos se até mesmo o principal porta-voz do empresariado paulista e o mais ferrenho defensor da reforma trabalhista está favorável ao ACE.

Falsos argumentos para justificar a retirada dos direitos!
Os defensores do ACE argumentam que, como a legislação é arcaica e ultrapassada, ela impede a aprovação de acordos mais favoráveis aos trabalhadores. O ACE, desse modo, facilitaria acordos benéficos aos trabalhadores. Entretanto, esse argumento é falso do inicio ao fim!
O entendimento de que a atual legislação trabalhista não proíbe acordos mais favoráveis aos trabalhadores é unânime entre todos os juristas da área do Direito do Trabalho. Advogados, juízes trabalhistas e estudiosos concordam que não há qualquer restrição na atual legislação para que se realizem convenções e acordos coletivos mais favoráveis do que o estipulado em lei. Esse também é o entendimento de dezenas de operadores do Direito que assinam o “manifesto de juristas contra o ACE”:

“Dizem os autores do projeto que não almejam a redução dos direitos dos trabalhadores, pretendendo, apenas, incentivar a autonomia negocial. No entanto, a autonomia negocial, para melhorar as condições sociais dos trabalhadores, nunca deixou de existir. A negociação com este objetivo, aliás, sempre foi incentivada pelo Direito do Trabalho, desde a sua formação. O projeto, portanto, se nada acrescenta neste aspecto, só pode servir mesmo para conferir a possibilidade de se reduzirem direitos (...)”[2]

Desse modo, fica muito claro o real objetivo do Governo Federal e da direção da CUT. Trata-se de resgatar antigas propostas de “flexibilização” dos direitos trabalhistas outrora defendidas pela velha oposição conservadora (PSDB, DEM e PPS), mas com uma nova roupagem. Dessa vez, se utilizam do próprio aparato sindical para promover uma medida que não trará benefício algum aos trabalhadores brasileiros. Os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros estão, mais uma vez, chamados a irem às ruas para lutarem por seus direitos.

MARCHA A BRASÍLIA SERÁ ESPAÇO DE RESISTÊNCIA CONTRA A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO E A RETIRADA DE DIREITOS.
 A resposta do movimento operário e popular deve estar à altura dos ataques. Os trabalhadores, através de seus sindicatos, centrais e federações, devem discutir a gravidade do projeto que aplica o ACE. É preciso organizar uma luta nacional que una distintas categorias e setores para lutar contra tais propostas. Por isso, achamos extremamente importante a iniciativa da CSP-Conlutas em construir uma grande Marcha a Brasília no dia 24 de Abril com destaque na luta contra o ACE. A Marcha, que pretende reunir dezenas de milhares de trabalhadores e jovens, já conta com a adesão de inúmeros sindicatos, movimentos populares, estudantis e sociais, como a FERAESP, o ANDES, a ANEL e o MST. Também é muito importante que setores da própria CUT, como o coletivo “A CUT pode mais” estejam engrossando a Marcha, pois amplia a nossa luta e evidencia ainda mais a gravidade dos ataques que estão sendo preparados pelo Governo Federal.
Acreditamos que seja muito importante que mais sindicatos, organizações estudantis e movimentos sociais se juntem à construção da Marcha. As entidades que representam os setores progressivos de direitos humanos, advogados e juízes trabalhistas críticos ao ACE também estão convidadas a se somar a essa luta.
Os direitos trabalhistas que temos hoje foram conquistados nas ruas com a luta da classe trabalhadora. Para que não os tirem de nós deveremos retomar o caminho da luta e da mobilização. Todos à Marcha a Brasília.    

segunda-feira, 8 de abril de 2013

VAMOS TODOS A MARCHA EM BRASÍLIA NO DIA 24 DE ABRIL


Toda hora estão dizendo no rádio e na televisão que está tudo bem no país. Até tentam esconder a realidade sobre os hospitais públicos, mas não tem jeito, o caos é muito grande. Nas escolas públicas os alunos enfrentam péssimas condições de estudo e os professores também sofrem com os baixos salários. O governo fala de uma nova classe média, a verdade é que os trabalhadores estão com muitas dificuldades para pagar as dívidas.


As grandes empresas estão lucrando cada vez mais com o crescimento econômico, enquanto a maioria continua cada vez mais pobre e endividada, muitos com dificuldade até para comer. E agora ainda está rolando no congresso uma proposta que ameaça os trabalhadores de perderem o direito ao 13º salário, as férias, e outras conquistas. Quem diria? Do jeito que o PSDB queria fazer, agora é o governo da Dilma que tenta retirar nossos direitos. Não podemos aceitar!

 Se você está contra essas barbaridades, junte-se a nós na marcha em Brasília do dia 24 de abril. Queremos propor que você discuta em seu sindicato, entidade estudantil ou popular sua participação nessa mobilização.



Essa marcha é unitária, incorporando centenas de sindicatos e entidades do movimento sindical, estudantil, popular de todo o país. Unifica dirigentes de diversos partidos políticos assim como independentes. Foi convocada pela CSP Conlutas e várias entidades com entidades nacionais do funcionalismo (CONDSEF, ANDES-SN, SINASEFE, FENASPS, FASUBRA, ASFOC-SN e outras), dos trabalhadores do campo (MST, Feraesp), Sindicatos de professores (CPERS, SEPE), correntes da CUT como “A CUT pode mais”, do movimento dos aposentados (Cobap), do movimento estudantil como a ANEL.

 Não concordamos com a atual política econômica. Os grandes beneficiários não têm sido os trabalhadores, como se pensa, mas as grandes empresas, que tiveram lucros altíssimos nos governos Lula e Dilma. Agora que existe uma desaceleração da economia, os lucros caíram. O sentido das iniciativas do governo é assegurar que esses lucros voltem a crescer. Vem daí os incentivos fiscais, a redução dos impostos, as privatizações.



 A marcha do dia 24 tem como objetivo resistir contra os ataques aos direitos dos trabalhadores como a reforma da previdência (que ameaça mais uma vez o direito a aposentadoria) e a imposição dos Acordos Coletivos Especiais (que abrem a possibilidade de perda do direito às férias e 13º salário). Queremos lutar contra as privatizações das rodovias, aeroportos, e impedir o leilão que vai aprofundar a privatização da Petrobrás. Queremos uma Petrobrás 100% estatal para ter combustível barato.

 Nós defendemos que a política econômica do governo esteja voltada para as necessidades dos trabalhadores e não das grandes empresas. Vamos lutar por  aumentos salariais para o funcionalismo público e demais trabalhadores. É preciso suspender o pagamento das dívidas aos banqueiros para poder investir na saúde e educação. Defender a reforma agrária e se opor ao apoio do governo ao agronegócio. É a única maneira de ter alimentos mais baratos no país.



 A existência dessa jornada de lutas e da Marcha à Brasília prova que não é verdade que todos estão de acordo com os rumos da política econômica nesse país. Nós  também não concordamos a chamada oposição de direita, que na verdade sempre defendeu todos esses ataques aos nossos direitos. É hora de dar visibilidade a um terceiro campo, o dos trabalhadores; Um campo totalmente oposto, tanto aos rumos do governo petista como dessa dita oposição de direita, que tenta ter visibilidade nesse momento, mas que sempre defendeu os interesses dos Ricos.

Procure saber se seu sindicato já está participando da marcha, e como será a ida para Brasília. Caso não esteja participando, propomos que abra essa discussão em sua entidade.



 Todos os sindicatos e entidades do país devem chamar assembleias e discutir a preparação da marcha do dia 24 de abril a Brasília.

CSP- CONLUTAS, MST E FERAESP DEBATEM EM RIBEIRÃO PRETO A CRISE ECONÔMICA E OS DESAFIOS DA CLASSE TRABALHADORA


quinta-feira, 21 de março de 2013

APONTAMENTOS SOBRE AS “GLOBAL PLAYERS”, IMPERIALISMO E A REVOLUÇÃO PERMANENTE.

É lugar comum entre os intelectuais do espectro petista a definição de que, sobretudo com o Governo Lula e agora sob a gestão Dilma, o Brasil, através do desenvolvimento de grandes empresas nacionais – chamadas “global players” – cumpriria um outro papel na divisão internacional do trabalho entre os países. Na concepção de tais analistas, que em alguma medida é acompanhada até mesmo por setores da oposição de direita, as grandes empresas brasileiras (estatais ou privadas) disputam o mercado internacional em pé de igualdade com as velhas e novas grandes multinacionais imperialistas. O papel de liderança mundial nos seus respectivos negócios faz com que a Petrobrás, Embraer, JBS-Friboi, Andrade Gutierrez entre outras empresas sejam exemplos desse maior protagonismo do capital nacional no mercado mundial.

O Governo petista aproveita-se do “fenômeno” das “global players”, assim como do papel nefasto que cumpriu ao ocupar e militarizar o Haiti fazendo o trabalho sujo para o imperialismo e na liderança na América do Sul, para obter vantagens políticas nos principais organismos de relações internacionais. É o que explica a insistência, até aqui sem qualquer efeito, em se tornar membro pleno (com poder de veto) do Conselho de Segurança da ONU, grupo seleto de potências formado por EUA, Rússia, China, Reino Unido e França.
Também vale destacar que, lamentavelmente, parte da própria esquerda antigovernista, numa avaliação superficial e apressada desse processo, acabou por se seduzir pelo canto do “Brasil Potência”. Não por outro motivo, inúmeros grupos e partidos desenvolveram “teorias” de que o Brasil havia se tornado um país imperialista ou criaram uma nova categoria, avessa a própria concepção leninista do imperialismo, o chamado “sub-imperialismo”. Longe de ser apenas uma discussão acadêmica ou teórica sem correspondência com a realidade, dizer que o Brasil não seja mais uma semi-colônia (países com independência política formal, mas subjugado economicamente), além de mudanças na avaliação geopolítica, implica em profundas alterações, no conjunto de tarefas e programas a qual os marxistas devem levantar para a revolução no Brasil.

Nessa brevíssima postagem, queremos, a partir de dois exemplos, mostrar que, ao contrário do que preconiza os intelectuais petistas e as linhas editoriais da imprensa burguesa, permanece a profunda dependência econômica de nosso país ao capital imperialista, sobretudo o norte-americano. Não menosprezamos as transformações ocorridas na econômica brasileira, assim como o papel de liderança que algumas empresas nacionais experimentaram nos últimos anos, todavia é preciso destacar os limites desse processo indo além das aparências superficiais e questionar o clima “festivo” propagado pelos porta-vozes do governo.
Em primeiro lugar, destacamos a importante participação do capital imperialista estrangeiro nas transnacionais brasileiras. A estratégia do governo para o desenvolvimentos dessas “global players” é combinar vultuosos incentivos fiscais e de créditos (via BNDES) por parte do governo e permitir a entrada de capital estrangeiro em parcelas “menores’ no capital das empresas. O que se percebe é que, se por um lado, houve uma ofensiva das empresas nacionais, por outro, estas empresas ainda dependem de investimentos estrangeiros (imperialistas) para se arriscarem ao mercado internacional. Para tal, a elevada taxa de juros, durante os governo FHC e Lula, contribuíram para atração de capitais imperialistas especulativos:

“O poder de atração do capital imperialista por parte do Brasil se deu em função de uma particular combinação de fatores, dentre os quais, para além de seus recursos naturais extremamente valorizados, cumpriram um papel central as taxas de juros reais mais altas do mundo. Esta conjunção de elementos levou a que o fluxo de dólares para o país pressionasse a uma hipervalorização artificial do real em relação ao dólar, aumentando o poder de compra das empresas nacionais no exterior e com isso favorecendo o desenvolvimento do que hoje conhecemos como os “global players” brasileiros.” (MATTOS, Daniel. A falácia do sub-imperialismo brasileiro. Revista estratégia internacional nº 25. 2009)
 Outra demonstração, mais recente, dos limites desse processo veio à tona com a notícia da compra de uma refinaria pela Petrobrás, em Pasadena, no estado norte-americano do Texas. A empresa estatal, talvez a principal “menina dos olhos” do governo petista e que em 2013 enfrenta sérios prejuízos, adquiriu a refinaria de um grupo belga (que a havia comprado pelo valor de mercado de 46 milhões de dólares) durante o governo Lula pela “bagatela” de 1,18 bilhões de dólares (!). Agora, a Petrobrás, que conta com importante parcela de capital estrangeiro na sua composição acionária, pretende vender a refinaria pelo valor de aproximadamente 400 milhões de reais. Um prejuízo de quase 800 milhões de dólares para os cofres brasileiros e uma grande ajuda aos capitais imperialistas belgas e norte americanos que realizaram a venda. Desse modo, o capital privado nacional e o Estado brasileiro colaboram, com dinheiro do trabalhador brasileiro, para aliviar a crise econômica pela qual passa as principais economias imperialistas do mundo.
Esses dois exemplos, um sobre como foram formados os “global players” brasileiros e outro sobre os limites desses, reforçam a caracterização de que o Brasil ainda é um país semi- colonial e dependente do capital imperialista. As atuações frente as crises políticas na América latina, a maior presença no continente africano e a intervenção militar no Haiti são expressões de uma potência regional que cumpre o “trabalho sujo” para o imperialismo. A fraca e tímida condenação ao recente golpe cívico-militar no Paraguai contra um de seus aliados (Fernando Lugo) evidencia que também na política externa o Brasil, em que pese a retórica “Sul-Sul” do governo, está em sintonia com as principais orientações do imperialismo norte-americano.
Caracterizar o Brasil como semi-colônia significa dizer que em nosso país a burguesia nacional, com seus inúmeros laços com o imperialismo, foi e segue sendo incapaz de realizar as históricas tarefas democráticas que ainda hoje seguem pendentes em nosso país. Nesse sentido, na contra mão do que propugna a esquerda “democrática e popular”, como o MST e a Consulta (que ainda seguem na sua procura utópica por uma burguesia nacional progressista), o proletariado brasileiro, hegemonizando os camponeses, pobres urbanos e a classe média empobrecida, está historicamente convocado a se organizar de maneira independente da burguesia nacional e estrangeira e, a partir da construção de uma República Operária e Socialista, realizar as tarefas democráticas não resolvidas, como a reforma agrária e urbana, demarcação de terras quilombolas e indígenas e educação de qualidade etc como explica o revolucionário e teórico russo Leon Trotsky em suas teses da revolução permanente:

“Para os países de desenvolvimento burguês retardatário e, em particular, para os países coloniais e semicoloniais, a teoria da revolução permanente significa que a solução verdadeira e completa de suas tarefas democráticas e nacional-libertadoras só é concebível por meio da ditadura do proletariado, que, assume a direção da nação oprimida e, antes de tudo, de suas massas camponesas.”

Desse modo, a luta pela construção de um partido revolucionário com profunda organicidade no seio da classe trabalhadora, sobretudo no seu setor mais precarizado, continua um problema de primeira ordem. Esse partido, que deverá caminhar na contramão de organizações políticas midiáticas, superestruturais e reformistas, como vemos o caminho escolhido pelo PSOL, deve ser parte da luta pela reconstrução da IV internacional, o partido mundial da revolução social.  

terça-feira, 12 de março de 2013

TODOS A MARCHA EM BRASÍLIA NO DIA 24 DE ABRIL



21/02/2013

No dia 24 de abril, a CSP-Conlutas e diversas organizações – A CUT Pode Mais, CNTA, Cobap, Condsef, CPERS e entidades nacionais e sindicatos locais – estão organizando uma grande marcha em Brasília, uma Jornada de Lutas.

O objetivo é defender os direitos sociais e trabalhistas e denunciar a política econômica do governo federal que resulta nesses ataques.

 Uma plataforma política foi aprovada pelas entidades que participam desta jornada: - Contra o ACE (Acordo Coletivo Especial) e a precarização no trabalho; 

- Fim do fator previdenciário / Anulação da reforma da previdência de 2003 / Defesa da aposentadoria e da previdência pública; 

- Reforma agrária já / Respeito aos direitos dos assalariados rurais / Apoio à luta dos trabalhadores do campo contra o latifúndio e o agronegócio; 

- Em defesa do direito à moradia digna / Chega de violência contra pobres e negros; 

- Em defesa dos servidores (as) públicos (as); - Aumento geral dos salários; - Adoção imediata da convenção 158 da OIT / Em defesa do emprego / Redução da jornada e trabalho, sem redução salarial; 

- Em defesa da educação e da saúde públicas; - Respeito aos povos indígenas e quilombolas; - Contra as privatizações / Defesa do patrimônio e dos recursos naturais do Brasil; - Suspensão do pagamento da dívida externa e interna aos grandes especuladores; 

- Contra a criminalização das lutas e dos movimentos sociais; - Contra o novo código florestal / Em defesa do meio ambiente; - Contra toda forma de discriminação e opressão. 


Os materiais de divulgação para a marcha já estão disponíveis para baixar. Foi feito um cartaz e um manifesto com a plataforma de luta da jornada assinado por diversas entidades. É possível baixá-los, clicando abaixo. É importante que as entidades, em cada estado, busquem integrar os diversos setores dos movimentos popular, sindical e estudantil. Promovam debates, seminários e reuniões sobre a importância da marcha.